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Por: João Batista
No dia 21 de junho de 2002, o Shizuoka Stadium Ecopa, no Japão, foi o palco de um dos momentos mais emblemáticos, debatidos e geniais da história das Copas do Mundo. Pelas quartas de final do Mundial da Coreia e do Japão, o Brasil enfrentava a poderosa seleção da Inglaterra. O jogo estava tenso, amarrado em 1 a 1, quando o relógio marcava 5 minutos do segundo tempo. Foi nesse instante que Ronaldinho Gaúcho cobrou uma falta que desafiou as leis da física e carimbou definitivamente o passaporte da Seleção Brasileira rumo ao pentacampeonato.
A partida era tratada por muitos como uma final antecipada. A Inglaterra havia saído na frente com um gol de Michael Owen, mas o Brasil buscou o empate ainda no primeiro tempo, após uma arrancada espetacular do próprio Ronaldinho, que serviu Rivaldo para estufar as redes.
No início da segunda etapa, o lateral-direito Cafu sofreu uma falta na intermediária, pelo setor direito do ataque brasileiro. A distância parecia longa demais para um chute direto — cerca de 35 metros do gol defendido por David Seaman, um dos goleiros mais experientes do futebol europeu na época.
Enquanto todos na área esperavam o cruzamento na cabeça dos zagueiros, Ronaldinho Gaúcho olhou para a baliza e percebeu que Seaman estava excessivamente adiantado, esperando a trajetória aérea para cortar o lance. Com a ousadia que só os fora de série possuem, o camisa 11 tomou pouca distância e bateu direto.
A bola viajou em uma parábola perfeita, subindo muito alto, dando a ilusão de que cruzaria toda a extensão da grande área. No entanto, na descida, ela ganhou um efeito plástico impressionante. David Seaman, ao perceber o perigo, tentou correr desesperadamente para trás. O arqueiro inglês esticou os braços, deu passos em falso e chegou a saltar, mas a redonda encontrou milimetricamente o ângulo esquerdo, morrendo nas redes.
A imagem de Seaman caindo dentro do próprio gol, estatelado e incrédulo, virou um cartão-postal daquele torneio. Até hoje, discute-se se Ronaldinho realmente tentou o chute ou se pretendia cruzar. O craque brasileiro, contudo, sempre sustentou que percebeu a falha posicional do goleiro e arriscou. O gol deu a vitória por 2 a 1 ao Brasil e garantiu a classificação, mesmo após Ronaldinho ser expulso injustamente minutos depois.
Aquele time, comandado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, entrou em campo com uma formação robusta e entrosada, unindo a solidez defensiva à genialidade do trio "os três Rs". Para além de Ronaldinho Gaúcho, o esquadrão brasileiro que garantiu aquela vitória histórica contou com os seguintes nomes na escalação:
Durante a partida, Felipão ainda promoveu as entradas do volante Edílson e do meia Junior, oxigenando a equipe para suportar a pressão inglesa nos minutos finais com um jogador a menos.
A pintura de Ronaldinho em Shizuoka não foi apenas um lance de efeito; foi o divisor de águas que quebrou a espinha dorsal de uma forte Inglaterra e pavimentou o caminho dourado para a conquista do planeta uma semana depois, em Yokohama.
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